Transição energética amplia oportunidades para pequenos negócios após a COP30

Para João Hélio Cavalcanti, Diretor Técnico do Sebrae-RN, cenário atual cria oportunidades para PME serem protagonistas da nova economia de baixo carbono

 

Crédito: Canindé Soares/Sebrae

A transição energética no Brasil abre uma trilha de oportunidades para os pequenos negócios. Alavancada na COP30, essa trilha começa na possibilidade de empresas atuarem na prestação de serviços técnicos, transporte e consultorias ligadas à eficiência energética. 

O caminho se expande ainda mais quando entram em cena startups que criam soluções inovadoras para redução de emissões. E, ao longo desse trajeto, surgem ainda inúmeras oportunidades para que qualquer pequeno negócio possa reduzir seu consumo energético, investindo em fontes sustentáveis para colher mais competitividade.

“A COP30 foi um catalisador de oportunidades para empreendedores, especialmente diante de metas mais ambiciosas de descarbonização, avanços tecnológicos e mudanças no comportamento do consumidor", afirma João Hélio Cavalcanti, Diretor Técnico do Sebrae-RN. “A geração solar fotovoltaica é exemplo desse movimento. O Brasil já ultrapassa 60 GW de potência instalada, com forte protagonismo da geração distribuída e dos pequenos negócios.” 

De acordo com Cavalcanti, o cenário atual da transição energética no país vem exigindo um maior grau de eficiência operacional das empresas, que têm de adotar cada vez mais uma gestão profissional, fazer leitura de risco regulatório e tomar decisões baseadas em dados.

Oportunidades para startups 

No entanto, esse contexto mais estratégico e exigente também abre um terreno fértil para o crescimento de micro e pequenas empresas alinhadas com as novas demandas. Isso porque cria-se uma dinâmica econômica que vai além dos grandes parques de geração, consolidando uma cadeia produtiva extensa – e é justamente aí que surgem as oportunidades para as PMEs.

“Percebemos que as micro e pequenas empresas podem ocupar um papel estratégico nesse novo cenário", diz Cavalcanti, citando oportunidades como prestação de serviços técnicos, manutenção, montagem, transporte e logística, construção civil especializada, fornecimento de equipamentos e componentes, além de consultorias voltadas à eficiência energética e à gestão ambiental. 

Já quando falamos em negócios inovadores, há espaço para startups que desenvolvem soluções tecnológicas para monitoramento, armazenamento de energia e redução de emissões.

“A transição energética não beneficia apenas quem está diretamente ligado à geração de energia. Pequenos negócios de diferentes setores podem ganhar competitividade ao adotar práticas sustentáveis, reduzir o consumo energético e investir em fontes renováveis. Isso significa diminuição de custos operacionais e maior inserção em mercados que valorizam critérios de sustentabilidade", afirma o Diretor Técnico do Sebrae-RN. 

Segundo ele, é justamente nesse ambiente mais complexo que surgem oportunidades para quem consegue entregar valor e confiabilidade. “É nesse contexto que o Polo Sebrae de Energias Renováveis atua como estrutura de apoio aos pequenos negócios, organizando inteligência setorial, promovendo governança e articulação institucional, além de oferecer soluções alinhadas às demandas do mercado." 

Energia eólica e hidrogênio verde

E quanto mais as energias verdes vêm ganhando força, mais se destacam estados como o Rio Grande do Norte, que já é referência nacional na geração de energia eólica e vem ampliando sua presença na energia solar, além de avançar nas discussões sobre hidrogênio verde.

“No Sebrae, temos acompanhado de perto esse movimento, especialmente a partir do Polo de Energias Renováveis instalado no Rio Grande do Norte", explica Cavalcanti. 

O diretor afirma ainda que a atuação do Sebrae envolve a preparação das empresas para esse novo cenário, seja com capacitação técnica e gerencial, articulação com grandes empreendimentos no estado ou mesmo dando apoio ao acesso a crédito e incentivo à inovação. 

“Por meio do Sebraetec, podemos citar duas empresas potiguares que se adequaram aos requisitos da Certificação Voluntária Qualidade ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, nível AA, na categoria Integradores", completa Cavalcanti. 

Ainda mais potente e promissora após a COP30, a transição energética é, sim, um processo que exige planejamento. No entanto, é também uma oportunidade para geração de renda, inovação e desenvolvimento regional. E, segundo Cavalcanti, o Sebrae segue desenvolvendo programas e mecanismos para garantir que as micro e pequenas empresas estejam inseridas nas cadeias produtivas da nova economia de baixo carbono. “Acreditamos que os pequenos negócios têm todas as condições de serem protagonistas dessa transformação.”n